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Vamos discutir o sexo dos anjos
sexta, 01 fevereiro 2019

Vamos discutir o sexo dos anjos

Discutir o sexo dos anjos Foi o que aconteceu em 1453, durante a tomada de Constantinopla, a atual Istambul, capital do Império Romano do Oriente. Enquanto o imperador Constantino XI, de forma atroz e violenta, comandava a resistência aos turcos, as autoridades cristãs, em estado calmo e sereno, estavam reunidas num concílio e debatiam determinadas questões teológicas. Um dos tópicos de discussão era (literalmente) se os anjos tinham sexo ou não. Não chegaram a conclusão alguma e, entretanto, o Império Bizantino terminava com a morte sangrenta do seu imperador e de milhares de cristãos.

Este é um exemplo de uma expressão frequentemente usada no nosso quotidiano. Mas, caro leitor, sabia a sua origem? Sabia que a discussão do sexo dos anjos realmente existiu? Discutir o sexo dos anjos aplica-se a uma discussão cujo assunto é inútil ou que não permite chegar a acordo ou conclusão, quando existem problemas mais importantes, tal como aconteceu… em Constantinopla.

Hoje venho desvendar o segredo que se esconde por trás de algumas expressões, daquilo que proferimos sem, por vezes, ter em conta por que motivo o dizemos.

Muitas expressões que usamos no nosso dia a dia têm origem nas mais variadas situações. Provêm da mitologia, da cultura popular, da publicidade, da televisão e até da política. Convido-vos a fazer uma breve viagem de forma a revisitar algumas expressões, certamente conhecidas pela maior parte dos leitores. Permitam, assim que eu vos conduza até à origem de mais algumas expressões.

Quebrar o gelo Ice breaker, em inglês originalmente. A expressão significa «iniciar conversa, para acabar com o silêncio constrangedor». Aplica-se a relações pessoais, diplomáticas ou até a negócios. O que talvez não saibam é que a expressão está relacionada com os barcos especialmente concebidos para quebrarem os grandes blocos de gelo em águas quase inavegáveis. Usa-se a expressão ao fazer uma analogia entre os icebergues, que são sólidos e frios, com os momentos de silêncio, que sempre são constrangedores e tensos.

Primeiro estranha-se, depois entranha-se Quantos de vocês sabiam que esta frase é de Fernando Pessoa? Foi criada por Pessoa para uma campanha publicitária da Coca-Cola, nos finais da década de 20, aquando da introdução da bebida no país. Por razões políticas, o slogan acabou por "ficar no papel" e a comercialização da Coca-Cola, em Portugal, ficou adiada até 25 de Abril de 1974. A bebida foi interdita durante algum tempo por se suspeitar que provocaria habituação. O nome coca causou polémica: viria de cocaína? E se não tinha cocaína então a publicidade era enganosa!!! Curioso, não?

Eu é que sou o presidente da Junta Esta expressão tem origem no programa Herman Enciclopédia, num sketch, em que Herman com uns óculos fundo de garrafa e, de barba por fazer, dando ideia de estar bastante alcoolizado, dizia vezes sem conta: «Eu é que sou o presidente da junta.» Hoje, e de forma humorística, a expressão é bastante usada em afirmações de poder.

Nunca me engano e raramente tenho dúvidas A 25 de maio de 1985, um artigo da revista do semanário Expresso, assinado pela jornalista Teresa de Sousa, tinha como título: O homem que nunca se engana. Logo o primeiro parágrafo era este, ainda que hoje se saiba que o ex-presidente da República nunca tenha verdadeiramente pronunciado esta frase. Seria antes: 'Nunca tenho dúvidas (em tomar uma decisão) e raramente me engano.”

E assim, caro leitor, despeço-me com amizade até à próxima crónica!

Ana Salgado

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