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A escrita de numerais
quarta, 14 março 2018

A escrita de numerais

Nos textos regulamentadores da ortografia portuguesa, as regras de escrita de numerais não são especificadas.

Uma vez que o uso de numerais é muito frequente, estabelece-se que a forma de escrever um numeral varia consoante o tipo de texto. O mais importante é que a opção que venha a ser assumida seja respeitada ao longo de todo o texto.

Cientes de que existem outras indicações[1] mas que não constituem textos normalizadores sobre a matéria, aqui deixámos algumas recomendações.

 

Grafias de numerais em textos de ficcão

 

  • De forma geral, os numerais devem ser sempre grafados por extenso.
    Ex.: Ela tinha dois anos (e não 2 anos). A semana tem sete dias (e não 7).

 

  • Em início de período ou título, grafar sempre por extenso.
    Ex.: Quinze (e não 15) medidas foram tomadas.

 

  • No caso de percentagens, usar a designação por extenso, e não o respectivo símbolo.
    Ex.: Trinta por cento (e não 30 %).

 

  • As décadas e anos devem ser escritos sob a forma numérica, e não por extenso.
    Ex.: Anos 80 (e não anos oitenta), década de 90 (e não década de noventa).

 

  • Na separação dos milhares das centenas, usar espaço em branco como separador da casa dos milhares.
    Ex.: 11 300 (e não 11.300).

 

  • Em grandes números ou quantidades, usar algarismos.
    Ex.: O número total de visitas era de 202 354.

 

Grafias de numerais em textos de não-ficcão

 

  • Em início de período ou título, grafar sempre por extenso.
    Ex.: Quinze (e não 15) votos contra.

 

  • No caso de percentagens, escreva numericamente e use o respectivo símbolo[2], e não a designação por extenso.
    Ex.: 30 % (e não 30 por cento).

 

  • As décadas e anos devem ser escritos sob a forma numérica, e não por extenso.
    Ex.: anos 80 (e não anos oitenta), década de 90 (e não década de noventa).

 

  • As centenas e milhares podem escrever-se numericamente ou por extenso.
    Ex.: 100 000 ou cem mil.

 

  • Quando os números são superiores ao milhão, as centenas podem ser escritas numericamente e os milhares ou milhões por extenso.
    Ex.: 250 milhões de toneladas; 55 mil milhões de euros.

 

  • Na separação dos milhares das centenas, usar espaço em branco como separador da casa dos milhares.
    Ex.: 11 300 (e não 11.300).

 

  • Em enumerações, esquemas, gráficos, ilustrações, quadros, tabelas, usar sempre algarismos.

 

 

 

[1] Consulte-se, por exemplo, o Livro de Estilo da agência noticiosa Lusa: «A Lusa deve escrever por extenso os número de “zero” a “dez” e em numerais a partir de “11”. Excecionam-se as idades e as datas que devem ser sempre escritas em numerais, sejam meses, sejam anos. Até três algarismos, não deve haver nenhuma separação entre os números. Por exemplo, 197, 209, 450 euros, 177 trabalhadores, 650 milhões de dólares. As vírgulas deverão ser apenas usadas na numeração decimal. Por exemplo: 1,97 de altura; 11,6 mil milhões. Por facilidade de Leitura, e a exemplo do que é usado pelos órgãos de comunicação social estrangeiros, a Lusa adopta o uso de pontos a partir de três algarismos. Exemplos: 1.597 inscritos; 56.550 espetadores; 489.115 desempregados; dotação de 372.409.691 euros. Sempre que o número seja da ordem das dezenas ­­­– por exemplo: cerca de quarenta pessoas – pode ser escrito por extenso, assim como cem ou mil. As percentagens serão sempre grafadas com o símbolo “%”, nomeadamente nos títulos, para facilitar a leitura e tomar os textos mais legíveis.» (Lusa, 2011, pp. 48-49).

[2] O símbolo deve ser grafado logo após o algarismo, com um espaço em branco.

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