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Palavras a dar que falar em 2017
quinta, 21 dezembro 2017

Palavras a dar que falar em 2017

Palavras que se destacam nos órgãos de comunicação social em Portugal

As palavras que mais se destacam na agenda mediática nacional no ano de 2017, e que permitem fazer um retrato da realidade portuguesa atual e observar tendências de utilização da língua, foram recolhidas pela equipa do PLP – Pórtico da Língua Portuguesa.

  • Alojamento local/Arrendamento
  • Busto
  • Cativações
  • Escutas
  • Fátima/Papa
  • Festival/Eurovisão
  • Incêndios
  • Independência
  • Legionela
  • Paióis
  • Panteão
  • Presidente
  • Seca
  • Videoárbitro

A análise destes vocábulos, desde palavras empregues em diferentes áreas até palavras usadas de forma corrente ou até inusitada, permite fazer um retrato da realidade e atualidade portuguesas.

A equipa do PLP manter-se-á atenta aos fenómenos da utilização da língua.

 

Alojamento local/Arrendamento – A gentrificação das zonas imobiliárias urbanas, em especial de Lisboa e Porto, em resultado do movimento turístico tem provocado não só a substituição da população e espaços tradicionais das zonas urbanas, como fez disparar o preço do arrendamento a longo prazo. O alojamento local, como negócio, é uma nova fonte de rendimento para alguns portugueses, porém tem afetado muitos outros que veem os preços do imobiliário a subir.
 
 
Busto – O busto de Cristiano Ronaldo que assinalou a alteração de nome do aeroporto da Madeira para Aeroporto Cristiano Ronaldo. O busto da autoria do escultor madeirense Emanuel Santos fez as delícias das redes sociais e dos órgãos de comunicação social. As piadas, memes e comparações não se fizeram esperar e aconteceram um pouco por todo mundo. Ainda este ano, o Real Madrid passou a exibir um busto do craque português, da autoria do artista espanhol José Antonio Navarro.
 
 
Cativações – O elevado valor das cativações usadas pelo ministério das Finanças, no Orçamento de Estado de 2016, como instrumento de cumprir as metas do défice definidas com a União Europeia, gerou polémica e uma discussão acesa sobre a discricionariedade e transparência do governo. As cativações, como instrumento orçamental que é utilizado para controlar a evolução da despesa pública, na qual uma parte da despesa do Orçamento de Estado fica reservada, e em que a sua utilização depende de uma autorização expressa do ministro das Finanças, foram muito superiores do que em anos anteriores.
 
 
Escutas (Operação Marquês) – As escutas telefónicas ao ex-primeiro-ministro José Sócrates foram consideradas decisivas para o formalizar da acusação do Ministério Público, na apelidada Operação Marquês. A divulgação pública das mesmas não deixaram os órgãos de comunicação social indiferentes, nem tão-pouco as redes sociais onde foram amplamente divulgadas. A Operação Marquês identifica 28 arguidos no processo, acusados de praticarem 188 crimes. Contam-se entre os arguidos 19 particulares e 9 empresas. Entre os arguidos, para lá de José Sócrates, encontram-se nomes conhecidos de todos os portugueses como Ricardo Salgado, Zeinal Bava, Armando Vara, Henrique Granadeiro, entre outros.
 
 
Fátima/Papa – a visita do Papa Francisco a Portugal para a celebração do centenário das aparições de Fátima foi um momento inolvidável para os portugueses que se deslocaram em massa ao Santuário para ver e ouvir de perto a Sua Santidade, representante máximo da Igreja Católica no mundo.
 
 
Festival/Eurovisão – Fado, Fátima, futebol... e festival da Eurovisão. «Amar pelos dois», canção interpretada por Salvador Sobral, em Kiev, trouxe para Portugal a primeira vitória no Festival da Eurovisão da Canção. O tema escrito por Luísa Sobral obteve 758 pontos, numa final disputada por 26 países. Portugal participou pela primeira vez neste festival em 1964.
 
 
Incêndios – O ano de 2017 ficará na memória de todos os portugueses como um dos piores anos, ao nível dos incêndios que afetaram o território nacional. Mais de uma centena de vítimas mortais e um balanço de 418 mil hectares de área ardida – números muito próximos dos de 2003 (o pior ano de sempre em termos de área ardida – 425 657 hectares). A área florestal ardida corresponde a 248,5 mil hectares. Incêndios como os de Pedrógão, Lousã, Oliveira do Hospital, Sertã, Pampilhosa da Serra, entre outros dificilmente serão esquecidos. Os incêndios terão terminado com o estado de graça do governo de António Costa e levaram ao pedido de demissão de Constança Urbano de Sousa, ministra da Administração Interna.
 
 
Independência – O tema da proclamação da independência da Catalunha que tem marcado a vida da nossa vizinha Espanha, foi também amplamente difundido e acompanhado com muita atenção em Portugal.
 
 
Legionela – o surto de legionela, no Hospital S. Francisco Xavier em Lisboa marcou a agenda nacional durante o mês de novembro. O surto, que infetou mais de 50 pessoas, provocou 6 vítimas mortais, segundo a Direção-Geral de Saúde. Um problema numa das torres de refrigeração do hospital terá estado na origem das infeções.
 
 
Paióis – O assalto aos Paióis Nacionais de Tancos levantou questões sobre a segurança e defesa nacional, colocando as Forças Armadas e o ministro da Defesa sobre intenso escrutínio mediático. O caso levou também a demissões e exonerações temporárias nos quadros do exército. A polémica e investigação continuam mesmo após o misterioso aparecimento do material roubado na Chamusca, após denúncia anónima.
 
 
Panteão Nacional – O jantar de encerramento da Websummit, que teve lugar no Panteão Nacional, desencadeou uma enorme polémica. As partilhas nas redes sociais, algumas em tom jocoso, do restrito grupo que tinha acesso ao jantar viraram tema de discussão nacional. Entre a insatisfação do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, ao diz-que-não-disse do primeiro-ministro António Costa, ao tweet de desculpas do fundador Paddy Cosgrove, o que o país descobriu é que afinal este não foi o primeiro jantar no Panteão e que o preço está tabelado e nem sequer é muito elevado. O célebre Fernando Peça diria «E esta, hein?».
 
 
Presidente – Marcelo Rebelo de Sousa num ano de mandato como Presidente da República transfigurou por completo o papel desempenhado pelo representante máximo da República Portuguesa. A presença ubíqua e diária na vida dos portugueses tem marcado o seu mandato, ao ponto de hoje ser reconhecido pelos portugueses como o «presidente dos afetos». Das imagens emocionadas e tocantes no apoio às vítimas dos incêndios, ao discurso de encerramento do website, Marcelo Rebelo de Sousa mantém-se como a figura de proa da vida política nacional.
 
 
Seca – A seca que tem afetado o território nacional chegou a níveis recorde em dezembro, após um verão e outono quase sem chuva. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), no início de dezembro, 97 % do território português estava em situação de seca extrema ou severa. Os meses de setembro, outubro e novembro tiveram as temperaturas mais altas desde que há registo (1931). Só em 1971 tivemos menos chuva nestes meses, do que em 2017.
 
 
Videoárbitro (VAR) – A introdução do videoárbitro (VAR), na I Liga de Futebol, foi a grande inovação e novidade para a temporada futebol 2017/2018. A decisão da Federação Portuguesa de Futebol em avançar com o VAR colocou Portugal entre os países pioneiros da adoção deste dispositivo de monitorização e auxílio à arbitragem. O VAR permite o acesso a imagens vídeo, no decurso da partida, a partir das quais se podem tomar ou rever decisões. O protocolo de utilização do VAR, a par de algumas decisões polémicas e do tenso clima que se vive no futebol português, tem originado uma permanente discussão acerca da eficácia do uso das tecnologias no futebol.
 
 


A equipa do PLP – português à letra

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